Que país é esse?
Texto meu no Blog Minha banda é independente
As definições para “alternativo” ou “cultura alternativa” são múltiplas. Numa interpretação simples, pode se entender “alternativa” como uma opção de escolha diferente das usuais, daquelas que são costumeiramente tomadas como padrão.
Muitas vezes, cai-se na armadilha de pensar que o padrão é sinônimo de qualidade e que o contrário disso seja uma amostra de falta de critérios de produção ou algo de difícil identificação com o público, num contexto massivo. Tal entendimento pode ser considerado errado, pois o que se observa é que há pouca abertura na mídia para divulgar a “produção artística alternativa”, e como o público pode se identificar com algo que ele não teve a oportunidade de conhecer?
Uma das maiores balelas que se repete por aí aos quatro cantos é que a mídia toca o que o povo quer escutar. Muito fácil colocar a culpa pela degradação cultural brasileira no povo, o povão ou a massa. A massa é algo que não se identifica ao certo, não podemos apontar o dedo pra massa, pois ela é um coletivo, um conceito que criaram para inutilizar as pesquisas estatísticas. Qualquer coisa pode invadir o seu rádio ou TV com a simples justificativa de que agrada às massas.
Eu penso nisso... faço parte da massa, mas o que toca no rádio não me agrada. Logo, eu não devo fazer parte da massa, como eu pensava. Mas isso não é um privilégio, é um fator de exclusão, pois a mídia não está preocupada em oferecer entretenimento para mim?!?!?! Sabemos que não é nada disso. A mídia não se ocupa de atender a demanda das pessoas, é serviço dela criar uma necessidade de seus produtos nas pessoas.
O Brasil não é o país do pagode, do samba... odeio ver os jogadores da seleção brasileira de futebol subirem aos pódios com pandeiros e cavaquinhos! Não percebem que estão reproduzindo e reforçando o estereótipo do país do carnaval, da mulata nua banhada de purpurina requebrando os dotes físicos enquanto espanta os mosquitos transmissores da malária? Gringo pensa que isso aqui é somente Amazônia, povo selvagem, turismo sexual e samba!!! Enquanto a mídia nacional quer que você pense que o Brasil é uma novela global das oito, com os ricos troteando em copacabana, ao som da bossa nova; e os pobres em mesas de bares boêmios, numa rodinha de pagode, cervejinha gelada no copo... tudo no melhor estilo malandro de ser.
Não, nada contra o pagode, nada contra a bossa nova. Mas o Brasil não é apenas isso, entende? Também é triste ver o forró nordestino, tão antigo e tão tradicional à cultura de um povo, estereotipado como novidade nacional, moda... Mudaram o estilo para facilitar a sua venda, agora é forró elétrico, ou forró universtitário... Luiz Gonzaga não agradaria às massas ???
O Brasil é rico, mas todo esse jogo é sujo!
Enquanto isso, vamos vivendo nos guetos, nos esforçando para ficarmos imunes às influências negativas da mídia e nos esforçando para conseguirmos ter acesso a um pouco de cultura que nos agrade.

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